No escuro

No escuro

Vamos falar de cinema e de outras coisas também. Para entender o mundo através dos filmes, com Alexandra Prado Coelho e Vasco Câmara.

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Rezumatul episodului

Não têm uma história na escola, quando, no recreio, entre miúdos como vocês, alguém se atreveu com "a cena da manteiga" por causa de um filme chamado O Último Tango em Paris, título aliás que não emitia nada de lascivo? São mais novos do que isso... E a "cena do ovo" de O Império dos Sentidos? E Singin' in the Rain e as violações, ou a violência e uma sinfonia de Beethoven, em Laranja Mecânica, mais as longas pestanas de Alex DeLarge e um medo que fechava as portas sempre que, a partir de então, se olhava para Malcolm McDowell? E os distúrbios na Cinemateca Portuguesa, em Lisboa, por causa da programada exibição de Je Vous Salue Marie, de Godard? Levou à mobilização de grupos católicos conservadores no edifício da Rua Barata Salgueiro, fúria liderada pelo então presidente da câmara Nuno Abecassis, pretendendo "escaqueirar" tudo se a programação fosse avante (ele que já tinha escaqueirado o clássico cinema Monumental...). A memória também é uma construção. Mesmo quem não esteve lá, mesmo quem não tenha…

Episoade

40-

A manteiga, o ovo, os “malditos”: de "O Último Tango em Paris" a "O Império dos Sentidos"

Não têm uma história na escola, quando, no recreio, entre miúdos como vocês, alguém se atreveu com "a cena da manteiga" por causa de um filme chamado O Último Tango em Paris, título aliás que não emitia nada de lascivo? São mais novos do que isso... E a "cena do ovo" de O Império dos Sentidos? E Singin' in the Rain e as violações, ou a violência e uma sinfonia de Beethoven, em Laranja Mecânica, mais as longas pestanas de Alex DeLarge e um medo que fechava as portas sempre que, a partir de então, se olhava para Malcolm McDowell? E os distúrbios na Cinemateca Portuguesa, em Lisboa, por causa da programada exibição de Je Vous Salue Marie, de Godard? Levou à mobilização de grupos católicos conservadores no edifício da Rua Barata Salgueiro, fúria liderada pelo então presidente da câmara Nuno Abecassis, pretendendo "escaqueirar" tudo se a programação fosse avante (ele que já tinha escaqueirado o clássico cinema Monumental...). A memória também é uma construção. Mesmo quem não esteve lá, mesmo quem não tenha…

09 oct. 2026
39-

Desta vez, com "Digger", Tom Cruise estatela-se?

Uma pergunta e uma incontida melancolia: porque é que Tom Cruise não é um actor de "filmes normais", de comédias românticas ou de pequenos, serenos melodramas? Porque é que cada projecto tem de equivaler a uma proeza, como se fosse um mergulho no Grand Canyon ou um voo planado a partir do Empire State Building? Porque é que um filme com Tom Cruise se reconduz sempre à exibição de um solo? (saudades de A Cor do Dinheiro). Porque é que está sempre em causa a salvação do cinema? É o que nos perguntamos neste episódio de No Escuro, na semana em que estreia Digger, o filme que à fome (de Cruise) junta a vontade de comer (de Alejandro González Iñárritu): o sublinhado, o sentencioso, o grotesco. E eis como Digger, em que o actor interpreta um milionário e o mundo está a braços com a catástrofe climática, está já a dividir. Talvez por essa Tom não esperasse, ele que, entre outras coisas, é um salteador da arca perdida do consenso. Depois de verem o filme e de ouvirem este episódio do podcast, digam se concordam…

02 oct. 2026
38-

Estreia. "O Homem Que Matou Duas Vezes". Episódio 1: O Apelo

Um homem mata uma ex-namorada. Uma amiga da vítima pede que se averigue o que falhou, uma vez que ele já antes matara uma ex-namorada, cumprira pena de prisão e estava ainda em liberdade condicional. O que falhou? O Homem Que Matou Duas Vezes é uma investigação de Ana Cristina Pereira, que escreveu os guiões e faz a narração, com produção de Inês Rocha, revisão de Inês Rocha e Sara de Melo Rocha, sonoplastia de Margarida Adão, música do genérico de Tiago Orato, ilustrações de José Carvalheiro e produção executiva de Amílcar Correia. A série narrativa, de sete episódios, vai além da reconstrução dos crimes cometidos por João Pedro Oliveira. Recupera a história das vítimas e do homem que as matou ao mesmo tempo que escrutina o sistema. Para conhecer a história toda, ouça os próximos seis episódios. Se precisa de ajuda, ligue para o Serviço de Informação às Vítimas de Violência Doméstica da CIG: 800 202 148. Ou para a linha de Apoio à Vítima da APAV: 116 006. Outros créditos: som recolhido em manifestação em…

30 sep. 2026
37-

Entre o sexo de "... Acampamento Miasma" e a cabeça de Almodovar, preferimos o sexo

Adolescência, Sexo e Morte no Acampamento Miasma é título de filme de terror. O cartaz, com as duas protagonistas cobertas de sangue, também aponta nessa direcção. Mas não nos precipitemos, porque quem não gosta de terror pode ter a tentação de o evitar e seria uma pena. Há sangue a jorrar e algumas cabeças a voar apenas porque Jane Schoenbrun, cineasta, presta aqui homenagem ao género slasher. Mas depois transcende-o para fazer um filme que é, afinal, muito mais sobre sexo e como encontrar um lugar seguro no medo, por paradoxal que possa parecer. A personagem principal, Kris (Hannah Einbinder, que não anda longe de ser um alter ego de Schoenbrun), foi convidada a recuperar a série de filmes sobre o Acampamento Miasma, voltando ao espírito original depois de várias tentativas para manter o entusiasmo dos fãs vivo. Para isso, quer ter no filme a "última rapariga" do episódio original. Ela é Billy (Gillian Anderson) e vive, reclusa, no acampamento isolado onde foi filmado o primeiro Miasma. É uma espécie de…

25 sep. 2026
36-

No Escuro com a controvérsia de 2026, NAZA, denúncia da máquina de morte israelita

Portugal, a Espanha e a Itália serão os primeiros países europeus a estrear NAZA, o filme do quarteto israelo-palestiniano formado por jornalistas e activistas que recebeu o Prémio Especial do Júri na última edição do Festival de Veneza — dia 1 de Outubro nas salas portuguesas, distribuído pela Nitrato Filmes. Deram a cara por NAZA Yuval Abraham e Rachel Szor tal como pelo filme anterior, No Other Land, foram Abraham e Basel Adra que figuraram no genérico como realizadores e se deslocaram a Hollywood para receberem o Óscar do melhor documentário em 2025. Nenhum deles é estranho à polémica, mas com NAZA os israelitas Abraham e Szor enfrentam neste momento um dos períodos mais difíceis das suas vidas. Estão a ser acusados de traição pelos sectores conservadores de Israel, de se aproximarem do anti-semitismo, ou de serem mesmo anti-semitas, e o governo anunciou pôr em marcha um processo de revogação da cidadania. Nada que não tivessem previsto: durante a conferência de imprensa em Veneza, perguntavam-se já o…

18 sep. 2026