Rezumatul episodului
Não têm uma história na escola, quando, no recreio, entre miúdos como vocês, alguém se atreveu com "a cena da manteiga" por causa de um filme chamado O Último Tango em Paris, título aliás que não emitia nada de lascivo? São mais novos do que isso... E a "cena do ovo" de O Império dos Sentidos? E Singin' in the Rain e as violações, ou a violência e uma sinfonia de Beethoven, em Laranja Mecânica, mais as longas pestanas de Alex DeLarge e um medo que fechava as portas sempre que, a partir de então, se olhava para Malcolm McDowell? E os distúrbios na Cinemateca Portuguesa, em Lisboa, por causa da programada exibição de Je Vous Salue Marie, de Godard? Levou à mobilização de grupos católicos conservadores no edifício da Rua Barata Salgueiro, fúria liderada pelo então presidente da câmara Nuno Abecassis, pretendendo "escaqueirar" tudo se a programação fosse avante (ele que já tinha escaqueirado o clássico cinema Monumental...). A memória também é uma construção. Mesmo quem não esteve lá, mesmo quem não tenha…
Não têm uma história na escola, quando, no recreio, entre miúdos como vocês, alguém se atreveu com "a cena da manteiga" por causa de um filme chamado O Último Tango em Paris, título aliás que não emitia nada de lascivo? São mais novos do que isso... E a "cena do ovo" de O Império dos Sentidos? E Singin' in the Rain e as violações, ou a violência e uma sinfonia de Beethoven, em Laranja Mecânica, mais as longas pestanas de Alex DeLarge e um medo que fechava as portas sempre que, a partir de então, se olhava para Malcolm McDowell? E os distúrbios na Cinemateca Portuguesa, em Lisboa, por causa da programada exibição de Je Vous Salue Marie, de Godard? Levou à mobilização de grupos católicos conservadores no edifício da Rua Barata Salgueiro, fúria liderada pelo então presidente da câmara Nuno Abecassis, pretendendo "escaqueirar" tudo se a programação fosse avante (ele que já tinha escaqueirado o clássico cinema Monumental...). A memória também é uma construção. Mesmo quem não esteve lá, mesmo quem não tenha…
Episoade
A manteiga, o ovo, os “malditos”: de "O Último Tango em Paris" a "O Império dos Sentidos"
AscultateNão têm uma história na escola, quando, no recreio, entre miúdos como vocês, alguém se atreveu com "a cena da manteiga" por causa de um filme chamado O Último Tango em Paris, título aliás que não emitia nada de lascivo? São mais novos do que isso... E a "cena do ovo" de O Império dos Sentidos? E Singin' in the Rain e as violações, ou a violência e uma sinfonia de Beethoven, em Laranja Mecânica, mais as longas pestanas de Alex DeLarge e um medo que fechava as portas sempre que, a partir de então, se olhava para Malcolm McDowell? E os distúrbios na Cinemateca Portuguesa, em Lisboa, por causa da programada exibição de Je Vous Salue Marie, de Godard? Levou à mobilização de grupos católicos conservadores no edifício da Rua Barata Salgueiro, fúria liderada pelo então presidente da câmara Nuno Abecassis, pretendendo "escaqueirar" tudo se a programação fosse avante (ele que já tinha escaqueirado o clássico cinema Monumental...). A memória também é uma construção. Mesmo quem não esteve lá, mesmo quem não tenha…
Desta vez, com "Digger", Tom Cruise estatela-se?
AscultateUma pergunta e uma incontida melancolia: porque é que Tom Cruise não é um actor de "filmes normais", de comédias românticas ou de pequenos, serenos melodramas? Porque é que cada projecto tem de equivaler a uma proeza, como se fosse um mergulho no Grand Canyon ou um voo planado a partir do Empire State Building? Porque é que um filme com Tom Cruise se reconduz sempre à exibição de um solo? (saudades de A Cor do Dinheiro). Porque é que está sempre em causa a salvação do cinema? É o que nos perguntamos neste episódio de No Escuro, na semana em que estreia Digger, o filme que à fome (de Cruise) junta a vontade de comer (de Alejandro González Iñárritu): o sublinhado, o sentencioso, o grotesco. E eis como Digger, em que o actor interpreta um milionário e o mundo está a braços com a catástrofe climática, está já a dividir. Talvez por essa Tom não esperasse, ele que, entre outras coisas, é um salteador da arca perdida do consenso. Depois de verem o filme e de ouvirem este episódio do podcast, digam se concordam…
Estreia. "O Homem Que Matou Duas Vezes". Episódio 1: O Apelo
AscultateUm homem mata uma ex-namorada. Uma amiga da vítima pede que se averigue o que falhou, uma vez que ele já antes matara uma ex-namorada, cumprira pena de prisão e estava ainda em liberdade condicional. O que falhou? O Homem Que Matou Duas Vezes é uma investigação de Ana Cristina Pereira, que escreveu os guiões e faz a narração, com produção de Inês Rocha, revisão de Inês Rocha e Sara de Melo Rocha, sonoplastia de Margarida Adão, música do genérico de Tiago Orato, ilustrações de José Carvalheiro e produção executiva de Amílcar Correia. A série narrativa, de sete episódios, vai além da reconstrução dos crimes cometidos por João Pedro Oliveira. Recupera a história das vítimas e do homem que as matou ao mesmo tempo que escrutina o sistema. Para conhecer a história toda, ouça os próximos seis episódios. Se precisa de ajuda, ligue para o Serviço de Informação às Vítimas de Violência Doméstica da CIG: 800 202 148. Ou para a linha de Apoio à Vítima da APAV: 116 006. Outros créditos: som recolhido em manifestação em…
Entre o sexo de "... Acampamento Miasma" e a cabeça de Almodovar, preferimos o sexo
AscultateAdolescência, Sexo e Morte no Acampamento Miasma é título de filme de terror. O cartaz, com as duas protagonistas cobertas de sangue, também aponta nessa direcção. Mas não nos precipitemos, porque quem não gosta de terror pode ter a tentação de o evitar e seria uma pena. Há sangue a jorrar e algumas cabeças a voar apenas porque Jane Schoenbrun, cineasta, presta aqui homenagem ao género slasher. Mas depois transcende-o para fazer um filme que é, afinal, muito mais sobre sexo e como encontrar um lugar seguro no medo, por paradoxal que possa parecer. A personagem principal, Kris (Hannah Einbinder, que não anda longe de ser um alter ego de Schoenbrun), foi convidada a recuperar a série de filmes sobre o Acampamento Miasma, voltando ao espírito original depois de várias tentativas para manter o entusiasmo dos fãs vivo. Para isso, quer ter no filme a "última rapariga" do episódio original. Ela é Billy (Gillian Anderson) e vive, reclusa, no acampamento isolado onde foi filmado o primeiro Miasma. É uma espécie de…
No Escuro com a controvérsia de 2026, NAZA, denúncia da máquina de morte israelita
AscultatePortugal, a Espanha e a Itália serão os primeiros países europeus a estrear NAZA, o filme do quarteto israelo-palestiniano formado por jornalistas e activistas que recebeu o Prémio Especial do Júri na última edição do Festival de Veneza — dia 1 de Outubro nas salas portuguesas, distribuído pela Nitrato Filmes. Deram a cara por NAZA Yuval Abraham e Rachel Szor tal como pelo filme anterior, No Other Land, foram Abraham e Basel Adra que figuraram no genérico como realizadores e se deslocaram a Hollywood para receberem o Óscar do melhor documentário em 2025. Nenhum deles é estranho à polémica, mas com NAZA os israelitas Abraham e Szor enfrentam neste momento um dos períodos mais difíceis das suas vidas. Estão a ser acusados de traição pelos sectores conservadores de Israel, de se aproximarem do anti-semitismo, ou de serem mesmo anti-semitas, e o governo anunciou pôr em marcha um processo de revogação da cidadania. Nada que não tivessem previsto: durante a conferência de imprensa em Veneza, perguntavam-se já o…